Uma reflexão sobre a infância, os sonhos que carregamos e a importância de preservar a criança que continua vivendo dentro de nós.
Querida criança que fui,
Hoje resolvi escrever uma carta para você.
Talvez tenha demorado muitos anos para encontrar as palavras certas. A vida passou, os caminhos mudaram, algumas pessoas chegaram, outras partiram, e muitos sonhos precisaram esperar.
Mas existe algo que o tempo não conseguiu apagar: a menina cheia de sonhos, curiosidade e esperança que um dia fui.
E hoje quero agradecer a você por tudo o que me ensinou.
Obrigada por brincar e enxergar magia nas pequenas coisas!
Obrigada por transformar dias comuns em aventuras extraordinárias.
Por acreditar que uma caixa de papelão poderia ser um castelo, que uma toalha poderia virar uma capa de super-heroína e que qualquer cantinho poderia se transformar em um universo de possibilidades.
Você não precisava de muito para ser feliz. Bastavam algumas brincadeiras, boas companhias e uma imaginação que parecia não ter fim.
Hoje compreendo que aquelas brincadeiras eram muito mais do que diversão.
Enquanto brincava, você descobria o mundo, desenvolvia sua criatividade, aprendia a conviver, experimentava sentimentos e construía lembranças que permaneceriam para sempre.
Obrigada por me ensinar que a felicidade, muitas vezes, mora nas coisas mais simples da vida.
Obrigada por sonhar, mesmo sem saber o que o futuro reservava!
Você sonhava tão alto!
Imaginava profissões, lugares, conquistas e uma vida cheia de possibilidades.
Talvez nem todos os seus sonhos tenham acontecido exatamente como você imaginou. Alguns mudaram de forma, outros seguiram caminhos inesperados e muitos exigiram mais tempo, coragem e persistência do que você poderia imaginar.
Mas sabe de uma coisa?
A sua capacidade de sonhar nunca foi em vão.
Foi ela que me ajudou a continuar quando os caminhos pareciam difíceis.
Foi a esperança daquela menina que me fez acreditar que ainda existiam novas oportunidades, mesmo depois das decepções.
E foi a coragem de tentar novamente que me trouxe até aqui.
Hoje, quando olho para a mulher que me tornei, reconheço um pedacinho de você em cada conquista.
Obrigada por ser curiosa e nunca perder a vontade de aprender!
Você queria descobrir tudo!
Fazia perguntas, observava os detalhes, encantava-se com uma borboleta, uma flor, uma história ou uma simples descoberta.
Não tinha vergonha de perguntar, de experimentar e de tentar novamente quando alguma coisa não dava certo.
Talvez seja por isso que hoje eu encontre tanta beleza no universo da educação.
Como professora, vejo diariamente nos olhos dos meus estudantes aquela mesma curiosidade que um dia iluminou os meus.
Quando uma criança descobre uma palavra, aprende algo novo ou consegue superar uma dificuldade, é impossível não me emocionar.
É como se, por alguns instantes, eu reencontrasse a menina que fui.
E percebo que ensinar também é uma maneira de manter viva a nossa própria infância.
Obrigada por ser autêntica!
Obrigada por rir alto, por demonstrar seus sentimentos, por acreditar nas pessoas e por enxergar beleza nas pequenas coisas.
Com o passar dos anos, descobri que crescer também significa enfrentar responsabilidades, cobranças e expectativas.
Às vezes, o mundo parece exigir que sejamos fortes o tempo inteiro, que tenhamos todas as respostas e que escondamos nossas fragilidades.
Mas você me ensinou algo que não quero esquecer:
Não precisamos deixar de ser quem somos para encontrar nosso lugar no mundo.
Quero continuar preservando sua sensibilidade, sua criatividade, sua espontaneidade e sua capacidade de se encantar com a vida.
Porque amadurecer não deveria significar abandonar aquilo que temos de mais verdadeiro.
Obrigada por nunca desistir!
Se eu pudesse voltar no tempo, gostaria de abraçar você bem apertado.
Diria que nem todos os dias seriam fáceis.
Que algumas pessoas não permaneceriam em sua vida, que haveria momentos de tristeza, que certos planos não aconteceriam como esperado e que, em algumas ocasiões, você precisaria recomeçar.
Mas também diria que seria capaz de superar muito mais do que imaginava.
Que descobriria forças onde antes enxergava medo.
Que aprenderia com os erros, encontraria novos caminhos e compreenderia que cada conquista tem seu próprio tempo.
E, principalmente, diria:
Não tenha pressa de crescer. Aproveite cada brincadeira, cada descoberta, cada amizade e cada momento da sua infância.
Você ainda não sabe, mas um dia sentirá saudade até mesmo das coisas que hoje parecem tão comuns.
A criança que fui e a professora que me tornei
Hoje, como professora e psicopedagoga, compreendo ainda mais a importância de respeitar e valorizar a infância.
Cada criança que chega à sala de aula carrega sonhos, sentimentos, medos, curiosidades e uma maneira única de enxergar o mundo.
Por trás de cada conquista escolar existe uma criança que precisa ser ouvida, incentivada, acolhida e respeitada.
Aprender a ler e escrever é uma experiência extraordinária. Mas a infância não pode ser reduzida a resultados, avaliações e conteúdos.
As crianças também precisam brincar, imaginar, criar, fazer perguntas, construir amizades e viver experiências que façam sentido.
Precisam de tempo para descobrir quem são e do apoio de adultos que acreditem em suas possibilidades.
Porque uma educação verdadeiramente significativa não prepara apenas para o futuro. Ela também respeita o presente da criança.
E talvez essa seja uma das maiores lições que minha profissão me proporciona: enquanto ensino, também continuo aprendendo com a infância.
Hoje, eu te digo: você conseguiu!
Querida criança que fui,
Hoje olho para trás com gratidão.
Não porque tudo tenha sido perfeito, mas porque cada experiência ajudou a construir a pessoa que sou.
Você cresceu.
Enfrentou desafios.
Aprendeu com as dificuldades.
Realizou sonhos que pareciam distantes.
E, mesmo depois de tantas mudanças, ainda conserva dentro de si aquela menina que acredita que coisas bonitas podem acontecer.
Tenho orgulho da sua coragem, da sua sensibilidade e da sua vontade de continuar.
E faço uma promessa:
Vou procurar não deixar que as responsabilidades da vida apaguem a alegria que você sempre encontrou nas pequenas coisas.
Vou continuar aprendendo, criando, acreditando e sonhando.
Porque crescer não significa deixar a infância para trás. Significa levar conosco aquilo que ela nos ensinou de mais precioso.
Uma mensagem para você que está lendo esta carta
Agora, quero fazer um convite especial.
Pense por alguns instantes na criança que você foi.
Do que ela gostava de brincar? Quais eram seus maiores sonhos? O que fazia seus olhos brilharem?
Será que aquela criança imaginaria os caminhos que você percorreu até aqui?
Talvez você tenha realizado muitos sonhos. Talvez ainda esteja tentando concretizar alguns deles.
Talvez tenha enfrentado situações que mudaram seus planos e sua maneira de enxergar a vida.
Mas, independentemente da sua história, existe algo que merece ser preservado: a capacidade de se encantar, de aprender, de recomeçar e de acreditar em novas possibilidades.
Não permita que a pressa dos dias faça você esquecer as pequenas alegrias.
Reserve momentos para rir, brincar, criar, estar com quem ama e fazer aquilo que desperta sua felicidade.
E, quando a vida parecer pesada demais, procure lembrar daquela criança que um dia acreditou que o mundo estava cheio de possibilidades.
Talvez ela ainda tenha muito a ensinar.
Que nunca nos falte...
A imaginação para enxergar novos caminhos.
A alegria de brincar e encontrar felicidade nas pequenas coisas.
A curiosidade para continuar aprendendo.
A sensibilidade para acolher e compreender.
E, principalmente, a coragem de sonhar, mesmo quando a vida nos desafia.
Porque a criança que fomos não desapareceu.
Ela continua vivendo em nossas lembranças, em nossos sentimentos, em nossos sonhos e na maneira como escolhemos olhar para o mundo.
Que a criança que fui, a mulher que sou e a pessoa que ainda vou me tornar continuem caminhando juntas, sempre!
Com carinho,
Professora Giselle Farias
Pedagoga e Psicopedagoga
💬 E agora quero saber de você!
Se pudesse encontrar a criança que foi, o que diria a ela?
Agradeceria por alguma coisa? Daria um conselho? Ou simplesmente a abraçaria bem apertado?
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Professora Giselle Farias 💌